A Graça
- 2 de mar.
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A grande beleza do amor, da ética e da liberdade
Por Amanda Aguiar
Filme de abertura do Festival de Veneza 2025, A Graça chega aos cinemas brasileiros em 19 de março — lançamento que assinala parceria inédita entre a MUBI e a Pandora Filmes. O novo longa-metragem de Paolo Sorrentino rendeu a Toni Servillo a Copa Volpi de Melhor Ator no Festival de Veneza — ocasião em que recebeu o troféu das mãos de Fernanda Torres, integrante da comissão julgadora. “Agradeço a esse júri magnífico! Eu não poderia imaginar que receberia esse prêmio de uma atriz que me encantou este ano, com um filme maravilhoso”, disse, referindo-se à atriz brasileira e ao premiado Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar® de Melhor Filme Internacional.
Paolo, cineasta vencedor do Oscar e do Bafta (A Grande Beleza, A Mão de Deus), tem dez longas na carreira, sete deles estrelados por Servillo. A dupla compõe um dos encontros criativos mais sólidos e celebrados do cinema contemporâneo, com o diretor frequentemente se referindo ao ator como um pilar essencial de sua obra. Em A Graça, Servillo interpreta o austero Mariano De Santis, um homem que ocupa o centro das decisões que moldam o destino coletivo.
“Vivemos um momento histórico em que a ética às vezes parece opcional, evasiva, opaca, ou muitas vezes invocada apenas por razões instrumentais”, disse Sorrentino em entrevista à Variety. “A ética é uma questão séria. Ela sustenta o mundo. Mariano De Santis é um homem sério. E Toni é o único ator que me transmite uma sensação imediata de autoridade — ao mesmo tempo em que emana grande humanidade só com seu olhar”, exaltou.
À medida em que um ciclo decisivo de sua trajetória se aproxima do fim, o protagonista enfrenta escolhas angustiantes — tanto públicas quanto íntimas. Em meio a dilemas morais, ele deve confrontar a própria consciência e buscar orientação nas pessoas mais próximas, incluindo sua filha, fiel confidente, Dorotea (Anna Ferzetti). Juntos, refletem sobre uma questão atemporal: a quem pertence o nosso tempo?
A trilha sonora evocativa é um deleite à parte: em A Graça, Sorrentino reafirma seu interesse sensível pela música — sempre em notável consonância com sua paixão pelo cinema. Em uma das cenas mais emblemáticas do longa, o rap Le Bimbe Piangono, do milanês Guè Pequeno, ecoa pelos salões de um palácio histórico, reforçando o contraste entre tradição e vertigem contemporânea.
Reflexão íntima sobre identidade, memória e responsabilidade — filmada com o olhar poético característico de Sorrentino — A Graça é uma experiência cinematográfica tão visualmente suntuosa quanto emocionalmente inesquecível.
A Graça | Estreia 19.03.2026 | Dir. Paolo Sorrentino | Itália | Drama | 133 min.





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