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A Garota Radiante: Um hino à vida, ao amor e à juventude

Por Juliana Brito


Sandrine Kiberlain, renomada atriz francesa, assina seu primeiro trabalho como roteirista e diretora em A Garota Radiante. O filme teve sua estreia mundial na Semana da Crítica do Festival de Cannes, que é uma mostra paralela à Seleção Oficial do Festival.


Em sua primeira direção, Sandrine escolheu um momento da História já muito retratado no universo cinematográfico: a ocupação nazista em Paris. Mas o que podemos observar é que ela o fez de uma forma completamente diferente do que estamos acostumados. No filme, não vemos soldados nem armas, muito menos tanques de guerra e bombas, e nem mesmo a temida suástica dá as caras na telona. Fazendo jus ao título, acompanhamos a vida de Irene, uma jovem alegre, judia, de 18 anos, que está descobrindo muitas das primeiras experiências da vida adulta. Ela sonha com uma carreira, quer se tornar atriz de teatro, e ensaia meticulosamente para a prova que está por vir com seu par Jo, por quem claramente sente uma atração. Mas é de Gilbert que ela recebe atenções e pedidos de namoro. A jovem conta com sua avó para confidências e conselhos sobre o início de sua vida amorosa.


Inclusive, toda a família de Irene – composta por avó, pai e irmão – tende a apoiá-la, e todos vivem em uma linda harmonia. Falando assim, nem parece que estamos assistindo a um filme sobre o Holocausto, um efeito que ocorre graças à clara intenção da diretora pelas sutilezas. É por causa dos estranhos desmaios que Irene passa a ter que começamos a notar a gravidade do momento que todos ali estão vivendo. Quase como uma sombra que paira, ela, de uma hora para outra, sente um mal-estar e se segura para não desmaiar. Os médicos não sabem o que pode ser, mas sempre perguntam se não está estressada ou ansiosa com “tudo o que está acontecendo”. E a resposta da garota, sempre sorridente, é “não”.


Quando as exigências em relação aos judeus começam a aumentar é que sentimos mais da tensão: eles são obrigados a entregar rádios e bicicletas, ter a identidade carimbada com a palavra “judeu”, e, finalmente, usar a estrela amarela em suas roupas. Apesar de tudo isso, Irene segue com seus sonhos e experiências, e até inventa que não está enxergando bem, apenas para voltar ao consultório médico e ter mais uma chance de paquerar o ajudante do oftalmologista, o jovem e atraente Jacques, dono de um sorriso tão cativante quanto o dela.


Quem interpreta Irene é Rebecca Marder, um talento em ascensão que vale a pena ficar de olho. E não podemos concluir o texto sem voltar para Sandrine. É fácil perceber que há muito dela no filme. E aí vem a pergunta: como seria se Sandrine Kiberlain vivesse naquele tempo? Ela seria esta Sandrine Kiberlain? Quanto a Irene, em outra época, certamente ela teria realizado tudo o que sonhou. Em sua estreia como cineasta, Sandrine entregou um filme belo e comovente, para assistirmos com um leve sorriso no rosto, pensando no que teremos para relembrar de nossas juventudes e de tudo o que mais almejamos.


A Garota Radiante | Estreia 30.03.23 | Dir. Sandrine Kiberlain | França | Drama | 98 min.


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