top of page

Hamnet: A vida antes de Hamlet

Atualizado: 6 de jan.

O coração partido de Shakespeare

Por João Martins


A diretora Chloé Zhao retorna aos cinemas com Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, adaptação do romance de Maggie O’Farrell. Após fazer história ao conquistar o Oscar por Nomadland e sua passagem pelo universo da Marvel em Eternals, Zhao reafirma sua habilidade de transformar dor em poesia. Sua direção é sensível e continua revelando emoções mais no silêncio do que nas palavras. Com produção assinada por Steven Spielberg e Sam Mendes, o filme chega carregado pelo peso de grandes nomes, mas preserva a delicadeza que acompanha a cineasta desde seus primeiros trabalhos.


O longa estreou no Festival de Telluride e rapidamente foi aclamado pela crítica. Venceu também o Prêmio do Público no Festival de Toronto, consolidando sua presença na temporada de premiações que se aproxima. O filme recebeu seis indicações ao Globo de Ouro 2026, na categoria “drama”, incluindo Melhor Filme, Direção, Atriz, Ator Coadjuvante, Roteiro e Trilha Sonora.


A história acompanha o casal Agnes e William Shakespeare, vividos por Jessie Buckley e Paul Mescal, que enfrentam a morte do filho Hamnet, de apenas onze anos. O luto, porém, se divide em dois caminhos. Agnes permanece em casa, cuidando da filha e do vazio que a perda impõe. Seu sofrimento é contido, transformado em rituais e pequenas memórias. William, por outro lado, parte para Londres, onde começa a escrever — sua maneira de sobreviver à dor. 


Essa separação define o tom do filme, que adota o ponto de vista de Agnes e faz dela o centro emocional da narrativa.


O longa revela uma mulher que vive à sombra de um gênio, mas cuja presença se torna essencial para compreendermos o próprio Shakespeare. É através dela que o filme questiona a figura mítica do autor. A obra trabalha para desmistificar o nome mais celebrado da literatura inglesa, apresentando um homem imperfeito, sensível e muitas vezes ausente como pai e marido. Um homem! O gênio surge não como estátua, mas como ser humano atravessado pela perda — e, sobretudo, pelo que nasce dela.


Mais do que uma história sobre Shakespeare, Hamnet: A Vida Antes de Hamlet é um retrato de como a arte pode surgir da dor — e de como essa dor pode ser eternizada, neste caso, pelo teatro. Na sensibilidade das imagens e no peso dos silêncios, Chloé Zhao constrói uma obra que revela o que significa continuar vivendo depois da ausência.


Confira o trailer



Hamnet: A Vida Antes de Hamlet | Estreia 15.01.2026 | Dir. Chloé Zhao | Reino Unido/EUA | Drama Histórico | 125 min

Comentários


bottom of page