Hamnet: A vida antes de Hamlet
- João Martins
- 5 de jan.
- 2 min de leitura
Atualizado: 6 de jan.
O coração partido de Shakespeare
Por João Martins
A diretora Chloé Zhao retorna aos cinemas com Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, adaptação do romance de Maggie O’Farrell. Após fazer história ao conquistar o Oscar por Nomadland e sua passagem pelo universo da Marvel em Eternals, Zhao reafirma sua habilidade de transformar dor em poesia. Sua direção é sensível e continua revelando emoções mais no silêncio do que nas palavras. Com produção assinada por Steven Spielberg e Sam Mendes, o filme chega carregado pelo peso de grandes nomes, mas preserva a delicadeza que acompanha a cineasta desde seus primeiros trabalhos.
O longa estreou no Festival de Telluride e rapidamente foi aclamado pela crítica. Venceu também o Prêmio do Público no Festival de Toronto, consolidando sua presença na temporada de premiações que se aproxima. O filme recebeu seis indicações ao Globo de Ouro 2026, na categoria “drama”, incluindo Melhor Filme, Direção, Atriz, Ator Coadjuvante, Roteiro e Trilha Sonora.
A história acompanha o casal Agnes e William Shakespeare, vividos por Jessie Buckley e Paul Mescal, que enfrentam a morte do filho Hamnet, de apenas onze anos. O luto, porém, se divide em dois caminhos. Agnes permanece em casa, cuidando da filha e do vazio que a perda impõe. Seu sofrimento é contido, transformado em rituais e pequenas memórias. William, por outro lado, parte para Londres, onde começa a escrever — sua maneira de sobreviver à dor.
Essa separação define o tom do filme, que adota o ponto de vista de Agnes e faz dela o centro emocional da narrativa.
O longa revela uma mulher que vive à sombra de um gênio, mas cuja presença se torna essencial para compreendermos o próprio Shakespeare. É através dela que o filme questiona a figura mítica do autor. A obra trabalha para desmistificar o nome mais celebrado da literatura inglesa, apresentando um homem imperfeito, sensível e muitas vezes ausente como pai e marido. Um homem! O gênio surge não como estátua, mas como ser humano atravessado pela perda — e, sobretudo, pelo que nasce dela.
Mais do que uma história sobre Shakespeare, Hamnet: A Vida Antes de Hamlet é um retrato de como a arte pode surgir da dor — e de como essa dor pode ser eternizada, neste caso, pelo teatro. Na sensibilidade das imagens e no peso dos silêncios, Chloé Zhao constrói uma obra que revela o que significa continuar vivendo depois da ausência.
Confira o trailer
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet | Estreia 15.01.2026 | Dir. Chloé Zhao | Reino Unido/EUA | Drama Histórico | 125 min








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