O Iluminado
- Lucas Viana
- 3 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
A experiência sensorial de um clássico atemporal
Por Lucas Viana
Detalhista, polêmico e exuberante: Stanley Kubrick é um cineasta obrigatório. De tempos em tempos, é aconselhável revisitar seus filmes para lembrar do que é feito o cinema de excelência. Felizmente, chegou o momento. O Iluminado volta aos cinemas em dezembro, 45 anos após sua estreia.
Quem nunca viu será agraciado com a possibilidade de descobrir essa obra-prima na telona, em uma explosão de cores e sons ajustados com o melhor que a tecnologia tem a oferecer. Quem vai rever poderá desfrutar da magia que é observar uma mesma história sob outra perspectiva — ponto em que O Iluminado tem muito a oferecer.
O filme narra a história de Jack Torrance, um escritor que se muda com a mulher e o filho para um hotel isolado que permanece fechado durante o inverno, numa tentativa de curar seu bloqueio criativo. Instalados ali, eles são confrontados pela horripilante combinação de isolamento, desejos conflitantes e uma força estranha que parece emanar do próprio edifício. A premissa é simples, mas seu desenvolvimento configura uma empolgante e complexa maquinaria que se desenrola sensorialmente perante nossos olhos.
Não há monstros, invasores maléficos ou demônios superpoderosos. O perigo é invisível e situacional. Ele surge da crescente e devassa influência que o Hotel Overlook — e seu passado desconhecido — exerce sobre os personagens. Isso se concretiza no contraste entre as frágeis figuras humanas e a imponente arquitetura esvaziada, em cenas simetricamente calculadas que influenciam cineastas até hoje. Os movimentos de câmera contaram com uma tecnologia de estabilização inovadora para a época, o que possibilitou o aflitivo plano-sequência em que o pequeno Danny percorre de triciclo os corredores labirínticos.
A cereja do bolo, que refina esses momentos de tensão, é a edição de som de Gordon Stainforth e sua meticulosa arte de combinar sons e silêncios em instantes estratégicos, conduzindo a espiral de devastação da trama. A trilha sonora conta, inclusive, com a tenebrosa Música para Cordas, Percussão e Celesta (1936), do compositor húngaro Béla Bartók — obra tão simétrica quanto as imagens de Kubrick.
Embora Stephen King tenha criticado a adaptação por não ser fiel ao livro, o autor também elogiou o filme por sua qualidade e pelas atuações de Jack Nicholson e Shelley Duvall. Esta última, aliás, veio a público denunciar os abusos do diretor durante as gravações, marcado por sua obsessão em regravar cenas à exaustão. A grande atriz deu vida a uma das personagens mais importantes da história do cinema de terror e merece, agora, ser tão homenageada quanto a obra de Kubrick.
Confira o trailer
O Iluminado | Estreia 11.12.2025 | Dir. Stanley Kubrick | EUA/Reino Unido | Terror | 146 min.








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