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O Morro dos Ventos Uivantes

Um sopro de ousadia no clássico gótico

Por Rebecca Rocatto


Um dos maiores clássicos literários e cinematográficos de todos os tempos chega novamente aos cinemas, agora pelos olhos de Emerald Fennell. O Morro dos Ventos Uivantes conta com um elenco de tirar o fôlego: Margot Robbie e Jacob Elordi vivem Catherine Earnshaw e Heathcliff, além da presença do astro do momento, Owen Cooper (Adolescência), como a versão mais jovem de Heathcliff. A história é a mesma: os dois estão fadados à tragédia quando Heathcliff se apaixona por Catherine na Inglaterra no final do século 18.


Emerald Fennell é conhecida por ousar na direção de seus filmes, e Saltburn é um exemplo claro de seu desejo de provocar diferentes sensações no público. Aqui, a adaptação chega mais inclinada às gerações atuais, com uma atmosfera jovem, audaciosa, contemporânea e sensual. A trilha sonora também chama atenção, ficando por conta de Charli XCX, cantora que reina nos holofotes alternativos desde 2010 e assina as músicas do filme.


Uma história de amor que já teve diversas adaptações para o cinema – sendo a de 1939, dirigida por William Wyler, a mais famosa – promete agora desconstruir as premissas dessa relação intensa e tumultuada entre Catherine e Heathcliff, criada por Emily Brontë em 1847.

Caso não esteja familiarizado com a trama original, o jovem Heathcliff é adotado pelo patriarca da família Earnshaw e nutre uma paixão destrutiva por Catherine, enquanto os dois se perdem em uma espiral de vingança, rejeição e obsessão. Emerald Fennell não quis apenas recriar um clássico, mas apresentar sua própria versão, mais inesperada e sexual, incluindo em algumas cenas práticas de bondage e submissão.


O filme não segue uma narrativa linear, tampouco se inspira totalmente no livro de Brontë para encontrar seu espaço no cinema moderno. A diretora opta por trazer à tona temas que eram grandes tabus na época, como o desejo feminino, escancarado na personagem vivida por Margot Robbie. Se você já gostou de Jacob Elordi em Saltburn, prepare-se para admirá-lo ainda mais neste.


Assistindo ao filme, fica a sensação de que as mulheres ocupam uma posição de destaque, tanto no presente quanto se ainda estivéssemos em 1800. Catherine se divide entre o casamento com o Sr. Linton, de família nobre, poderosa e espalhafatosa, que passa a dominar seus dias e noites, e a ligação inquebrável com Heathcliff, nome que ela própria deu ao garoto no início da história. Tudo o que acontece com os dois na infância se reflete na vida adulta: o adultério, a maneira como se assombram – apesar de estarem no mesmo ambiente –, como fantasmas em corpos condenados. Amor? Talvez, mas há algo ainda maior do que isso. Um sentimento tão forte que atravessa os ventos do morro mais famoso do mundo para chegar aos ouvidos de Catherine, na voz de Heathcliff.


Entre intrigas, mágoas, atitudes carregadas de rancor e desafios, Catherine e Heathcliff transitam entre as figuras do pai dela, da dama de companhia Nelly, do Sr. Linton e de Isabella, que também se torna dama de companhia mais tarde, em uma disputa ardente pela atenção do agora belo e rico Heathcliff — como se todos orbitassem, inevitavelmente, em torno de um amor impossível. Enfim, mais do que revisitar um grande romance, a diretora propõe uma experiência sensorial intensa e assumidamente excessiva. Um filme que não quer apenas contar uma história conhecida, mas fazê-la ser sentida novamente, como se fosse a primeira vez. O Morro dos Ventos Uivantes chega aos cinemas brasileiros às vésperas do Dia dos Namorados americano, coincidindo também com a época do melhor feriado que temos por aqui: o Carnaval.



Confira o trailer


O Morro dos Ventos Uivantes Estreia  12.02.2026 Dir. Emerald Fennell | EUA/Reino Unido Romance | 136 min.

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