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Oppenheimer - O destruidor de mundos

Por Larissa Reis


Considerado um dos filmes mais aguardados deste ano, Oppenheimer, dirigido por Christopher Nolan, conta com um elenco estrelado, somando mais de 130 atores e atrizes, e será lançado no mesmo dia de seu concorrente de bilheteria, Barbie, de Greta Gerwig. Praticamente o embate do século. Mas, brincadeiras à parte, esse não é um filme de guerra qualquer e também não será apenas sobre isso. Mas sim sobre os efeitos morais que a criação de uma bomba nuclear pode causar, não só no mundo, mas em seu criador.


O brilhante e já repetente – quando o assunto é atuar em filmes dirigidos por Nolan – Cillian Murphy dá vida ao cientista mais famoso do século XX, uma das mentes mais brilhantes do mundo da física, que se tornaria peça chave na criação de uma arma que mudaria o curso da humanidade. Nascido em Nova York e de família judia e alemã, J. Robert Oppenheimer foi o principal componente e líder do Projeto Manhattan. Projeto esse que teve início em 1939 e só terminou após o teste no deserto de Los Alamos, no Novo México, em 1945.


Sob a supervisão marcante do general do exército americano Leslie Groves, numa atuação perfeita de Matt Damon, que já colaborou em diversas produções de Christopher Nolan, somos apresentados ao papel imprescindível dele na fase inicial do Projeto Manhattan. Ele foi responsável pelo recrutamento de milhares de cientistas, incluindo o próprio Oppenheimer, para que essa arma poderosa não caísse nas mãos da Alemanha nazista.

Após o sucesso do teste "Trinity", um mês depois o Japão era atacado com duas bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, matando mais de 200 mil pessoas e levando ao fim a Segunda Guerra Mundial. Mas, para Oppenheimer outra guerra estava prestes a começar, pois o seu relacionamento com o governo dos Estados Unidos já não era mais dos melhores.


Oppenheimer acabou perdendo toda a sua influência e participação nas pesquisas de energia e armamento nuclear americano. Principalmente pela influência da Guerra Fria, porque, lógico, alguém construiu uma bomba maior. Mas o verdadeiro motivo foi dado à conexão de Oppenheimer ao partido comunista, quando ambos já eram caçados publicamente. Já na parte final do filme, podemos ver Lewis Strauss, uma figura controversa e antagonista, vivido por Robert Downey Jr, que desempenha bem o seu papel em quase literalmente "caçar" Oppenheimer. Ele era visto como vilão da História Americana, um anticomunista rígido demais e com visões extremamente conservadoras.


O filme, que foi baseado inteiramente no livro American Prometheus: The Triumph and Tragedy of J. Robert Oppenheimer, de Kai Bird e Martin J. Sherwin, publicado em 2005, teve seu roteiro escrito em primeira pessoa, para que o espectador pudesse entrar na mente desse gênio que era Oppenheimer. Nolan queria que o público visse o mundo como ele o via, com os átomos se movendo, as ondas de energia, o mundo quântico, e sentindo o perigo e a ameaça de tudo isso de forma imersiva.


Certamente essa é uma história política, cheia de complexidades e até, de certa forma, difícil de explicar sem ao menos entender um pouco de sua origem. O que justifica a duração de três horas e nove segundos do filme. Mas o que o diretor quer mostrar nesta obra é a história de um homem que passa por diversos dilemas éticos irreconciliáveis. J. Robert Oppenheimer emerge como um personagem que claramente se arrepende da sua missão no desenvolvimento da bomba atômica. Através do olhar vazio e carregado de angústia de Murphy, somos confrontados com a profunda reflexão de Oppenheimer e um sentido avassalador de peso moral. Ele questiona incansavelmente suas próprias motivações e responsabilidades, reconhecendo as consequências devastadoras do poder destrutivo que ajudou a criar. É um retrato impactante de alguém que confronta sua própria culpa e luta para encontrar redenção.


Confira o trailer



Oppenheimer | Estreia 20.07.23 | Dir. Christopher Nolan | EUA | Guerra/Drama | 180 min

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