Se Eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria
- Rebecca Rocatto
- 3 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Uma mulher à beira do fim e do recomeço
Por Rebecca Rocatto
A diretora Mary Bronstein (a mesma de Yeast, 2008 — filme com outra querida cineasta, Greta Gerwig, no elenco) chega com um novo lançamento que promete abalar as estruturas este ano: Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria, com Rose Byrne, Delaney Quinn, Mary Bronstein, Conan O'Brien e o rapper A$AP Rocky nos papéis principais.
Mary Bronstein retrata com precisão a difícil jornada de uma mulher de meia-idade, uma psicóloga em luta constante com os fantasmas do presente. E quanto à protagonista Rose Byrne, a revista Vanity Fair descreveu esse trabalho como “o melhor de sua carreira”, uma performance tão primorosa que lhe rendeu o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim.
Com uma mistura de comédia, drama e suspense, o filme acompanha Linda, que está à beira de um colapso precisando lidar com a misteriosa doença da filha, um casamento prestes a ruir e uma relação hostil com seu terapeuta. Já ouviu aquela frase de que todo psicólogo precisa de um psicólogo? É mais ou menos assim que essa história se desdobra: uma mãe desesperada, presa em uma espiral de descontentamento que a puxa cada vez mais para um abismo sem fim. Quando o teto de sua casa desaba por causa de um vazamento, ela é obrigada a ir com a filha para um hotel de beira de estrada, sem apoio de ninguém, tentando de todas as maneiras encontrar uma solução para o caos que a rodeia.
Para piorar, sem saber como resolver o buraco no teto, Linda se vê no meio de novos episódios desastrosos que a aproximam cada vez mais de um surto psicótico. O roteiro e a direção capturam de maneira impecável a sensação de claustrofobia que o filme se propõe a transmitir, ao mesmo tempo em que constroem uma experiência cinematográfica tensa e agridoce. Lembrando que nessa trama catastrófica há espaço para humor, sim, embora ele seja ácido e até desconcertante.
Muito bem inspirado, o título do filme se faz presente a todo instante no seu decorrer, mesmo sem ser dito literalmente. A sensação de estar perdendo tudo, de precisar lutar incansavelmente para chegar à superfície e pedir ajuda, traduz exatamente o estado daquela mulher, que se sente como alguém sem pernas para chutar quem não a vê ou é hostil ao seu pedido de socorro. Prepare o fôlego para acompanhar essa avassaladora jornada.
Confira o trailer
Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria | Estreia 01.01.2026 | Dir. Mary Bronstein | EUA | Drama | 113 min.








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