A Fúria
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O poderoso epílogo da trilogia de Ruy Guerra
Por Léo Mendes
Décadas depois de Os Fuzis (1964) e A Queda (1978), ambos laureados com o Urso de Prata em Berlim, A Fúria chega aos cinemas como o capítulo final dessa antológica trilogia. Dirigido por Ruy Guerra — um dos nomes mais importantes e longevos do cinema brasileiro —, agora em parceria com Luciana Mazzotti, o filme retoma Mário, homem morto na ditadura e de volta para acertar contas com o passado.
Aqui, o personagem é revivido por Ricardo Blat, assumindo o papel que foi de Nelson Xavier nos filmes anteriores. O elenco, que tem nomes como Simone Spoladore, Julio Adrião, Grace Passô e Lux Nègre, também resgata personagens dos outros dois filmes, na presença de Maria Gladys, Paulo César Pereio, Lima Duarte e Antonio Pitanga, reforçando a sensação de continuidade, de reencontro.
A partir de um ponto de partida abertamente surreal — um homem que volta do mundo dos mortos —, o filme se constrói como um thriller político pontuado por elementos de realismo fantástico. Mário circula por um país em tensão, cercado por figuras de poder e por novas forças que começam a ocupar espaço de forma suspeita, enquanto três mulheres — uma deputada em ascensão, uma líder paramilitar e a neta de um antigo inimigo — atravessam seu caminho e ajudam a redesenhar esse campo de conflitos, uma espécie de purgatório.
Mesclando referências claras do Cinema Novo a uma estética mais moderna, a direção assume um tom assertivo, em que violência, memória e imaginação convivem lado a lado com um resultado intenso e magnético. Ao encerrar a trilogia, Ruy Guerra não apenas fecha um ciclo iniciado nos anos 1960, mas recoloca em cena questões que seguem abertas. Mário volta — e, com ele, tudo aquilo que insiste em não desaparecer. Depois de passagem apoteótica pelo Festival de Brasília, A Fúria estreia como mais uma obra poderosa de um mestre que nunca saiu de cena.
Confira o trailer
A Fúria | Estreia 30.04.2026 | Dir. Ruy Guerra | Brasil | Suspense 101 min.




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