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A Voz de Hind Rajab

O grito que o mundo precisou ouvir

Por Lívia Bandeira de Figueiredo


A Voz de Hind Rajab chega ao circuito como um dos docudramas mais devastadores do ano. Kaouther Ben Hania constrói todo o filme a partir de um registro sonoro cru: a voz de uma menina que atravessa a narrativa como um pedido urgente e impossível de ignorar. Uma criança de apenas 6 anos pedindo para ser resgatada. Seus telefonemas incessantes para a Crescente Vermelha Palestina, o serviço oficial de emergência, tornaram-se um dos documentos mais dolorosos da brutalidade sofrida pelo povo palestino.


Cercada por uma operação militar, com soldados, tiroteios e tanques do exército israelense ao redor, Hind fez uma ligação que viria a comover o mundo. Sua respiração curta, as frases interrompidas e o medo infiltrado em cada palavra revelam a dimensão concreta do que significa existir no meio do colapso. O tempo passa, a ajuda não chega, e o terror se intensifica.


O filme opta por focar nos operadores da central de emergência, reencenando o momento de angústia ao receber essa ligação e a tentativa de salvar Hind apesar dos bloqueios, dos ruídos da guerra e da burocracia.


A diretora toma uma decisão que transforma o filme em algo maior que uma denúncia: escutamos a voz original da menina — as pausas, o som de um medo que nenhuma lente é capaz de traduzir. A força do filme nasce justamente do que não é mostrado, mas ouvido. A violência que importa aqui não é a que explode na tela, mas a que se repete todos os dias.


O filme se tornou o mais ovacionado da história de Cannes, com vinte e três minutos de aplausos em pé. Desde então, vem sendo apontado por críticos como uma das obras mais urgentes da temporada. Recebeu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza, emocionou plateias ao redor do mundo, foi escolhido para representar a Tunísia na corrida pelo Oscar 2026 e conquistou indicação ao Globo de Ouro como Melhor Filme em Língua Não Inglesa, consolidando seu impacto global e sua presença nas principais premiações.

A obra não busca suavizar nada. É um filme duro, que transforma o silêncio internacional diante de Gaza em mais um grito de desespero contra a apatia.


Hind tornou-se um rosto e um nome que representam uma geração inteira privada não apenas da infância, mas do direito de viver. Sua imagem circulou por protestos, campanhas de direitos humanos, manifestações estudantis, ativismos digitais e pela imprensa internacional — e agora ganha corpo cinematográfico e fôlego emocional.


No fim, A Voz de Hind Rajab , que chega aos cinemas brasileiros em 29 de janeiro, sustenta seu próprio peso: é um filme que fala por si só. Mantém-se firme e direto, lembrando que algumas histórias carregam sua força apenas quando são ouvidas.


Confira o trailer



A Voz de Hind Rajab | Estreia 29.01.2026 | Dir. Kaouther Ben Hania | Tunísia/França | Drama 89 min

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