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Kill Bill: The Whole Bloody Affair

  • 2 de mar.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 5 de mar.

A volta da lady vingança, ainda mais sangrenta!

Por Lucas Viana


Kill Bill: The Whole Bloody Affair chega aos cinemas em 5 de março, sem rodeios. A nova versão é mais do que a simples junção dos dois volumes: traz cenas extras vibrantes e, claro, ainda mais sangrentas.


Não que, nos anos 2000, tivesse faltado plasma e hemoglobina. Já naquela época havia jorros que saltavam em direção ao espectador, manchando as lentes da câmera. Mas, neste novo corte, o que antes surgia atenuado por cores pálidas agora explode em escarlate. O que era apenas sugestão sob o filtro em preto e branco emerge na vermelhidão profana, celebrada pelos espectadores mais hematófagos. Há também novos trechos em animação, igualmente sanguinolentos.


Mas um clássico como este não sobrevive apenas de sangue. Ousado, marcante, vibrante, com coreografias de luta dinâmicas e uma verdadeira aula de história do cinema, Kill Bill tem trunfos que encantam até o mais frugívoro dos cinéfilos. Tarantino homenageia o cinema “popularesco” à sua maneira, resgatando gêneros como o filme de samurai, o faroeste espaguete e a blaxploitation. O traje amarelo de Beatrix Kiddo remete ao figurino usado por Bruce Lee em Jogo da Morte. Elle Driver não foi a primeira femme fatale de tapa-olho: Christina Lindberg já havia usado o acessório em Thriller – Um Filme Cruel (1973), e Monica Gayle em Faca na Garganta (1975). Mas Lady Snowblood: Vingança na Neve (1973) é o campeão em citações: influenciou planos de abertura, a divisão em capítulos, diversas cenas de luta, o visual de O-Ren Ishii e o cenário de sua batalha final.


A trilha sonora segue a mesma lógica, resgatando faixas até então esquecidas — hoje incorporadas ao inconsciente coletivo. A melodia estridente dos flashbacks de Beatrix é Ironside, de Quincy Jones (1967), criada para a série homônima de TV. O célebre assobio da enfermeira vem de um tema composto por Bernard Herrmann para A Morte Tem Cara de Anjo (1968). O trompete de Al Hirt, abertura de O Besouro Verde (1967), também marca presença. Até Ennio Morricone é convocado, com seu tema para A Morte Anda a Cavalo (1967), que embala o primeiro encontro entre O-Ren e Beatrix.


Kill Bill prova que é possível ser original sem reinventar a roda. Uma boa história existe quando é bem contada. Para os fãs, o “novo banho de sangue” não seduz apenas pelas cenas extras, mas pela chance de rever um clássico que ainda arrepia. Duvido que você se lembre de todas as reviravoltas!



Confira o trailer



Kill Bill: The Whole Bloody Affair | Estreia 05.03.2026 | Dir. Quentin Tarantino | EUA | Ação | 275 min.

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