Nuremberg
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O julgamento que ainda ecoa
Por Murilo Brum
Poucos momentos da história parecem tão conhecidos quanto o fim da Segunda Guerra Mundial. Ruínas, líderes derrotados e o início de um julgamento que definiria como o mundo passaria a lidar com crimes dessa escala. Com elenco estelar, reunindo nomes como Rami Malek, Russell Crowe, Michael Shannon e Richard E. Grant, Nuremberg, segundo filme dirigido pelo produtor James Vanderbilt, se aproxima desse episódio por um caminho mais íntimo, acompanhando o que acontecia longe das câmeras e das declarações oficiais.
O centro da narrativa é Douglas Kelley (Rami Malek), psiquiatra do Exército americano encarregado de avaliar os prisioneiros nazistas antes do julgamento. Sua missão é verificar se estão aptos a responder por seus atos. Entre eles está Hermann Göring (Russell Crowe), uma das figuras mais poderosas do regime, braço direito de Hitler, agora preso, mas longe de se considerar vencido e confiante na própria capacidade de convencer quem está à sua frente.
As conversas entre os dois se tornam o verdadeiro motor do filme. Göring fala com calma, reorganiza versões dos fatos e conduz cada diálogo como se ainda ocupasse uma posição de autoridade. Kelley escuta, observa e tenta compreender como alguém envolvido em acontecimentos tão violentos pode se apresentar com tamanha lucidez. Aos poucos percebe que sua função ultrapassa uma simples análise clínica. A tensão surge justamente desse contato direto. Sem recorrer a grandes reconstituições ou cenas de batalha, a direção concentra a atenção nos detalhes e constrói um suspense baseado no diálogo, nos silêncios e nas reações.
De um lado, um homem tenta manter controle sobre a própria narrativa. Do outro, alguém enfrenta o desafio de analisá-lo profissionalmente sem se deixar afetar pelo que escuta.
A cada entrevista, a impressão é que o controle nunca está totalmente nas mãos de Kelley. Göring domina o ritmo, testa limites e transforma perguntas objetivas em disputas sutis de poder. O incômodo cresce porque ele parece extremamente confortável.
Acompanhamos os preparativos para um julgamento histórico, mas também um processo interno de reflexão sobre responsabilidade, memória e sobre como discursos podem permanecer convincentes mesmo depois da queda de um regime inteiro.
Nuremberg aproxima esse período do espectador por outro olhar. A história é conhecida, mas a sessão permanece pela inquietação que provoca depois, levando a pensar em como cada sociedade encara o próprio passado e no que se aprende com as escolhas feitas ao longo do tempo.
Confira o trailer
Nuremberg | Estreia 26.03.2026 | Dir. James Vanderbilt | EUA | Drama | 148 min.





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