A Odisseia
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Odisseu refazendo sua longa jornada
Por Rebecca Rocatto
Christopher Nolan retorna aos cinemas com um dos projetos mais ambiciosos de sua carreira: A Odisseia. Mesmo antes de sua estreia, o filme já se tornou alvo de debates acalorados, principalmente por escolhas de elenco que desagradaram parte dos admiradores da obra de Homero e transformaram a adaptação em assunto recorrente nas redes sociais e na imprensa internacional. Para além da polêmica, o longa reúne um elenco impressionante, com Matt Damon no papel de Odisseu, Anne Hathaway como Penélope, Zendaya como Atena, Lupita Nyong’o como Helena de Troia, além de Elliot Page, Tom Holland, Robert Pattinson, Mia Goth e Charlize Theron dando novas formas a outros personagens “sagrados” da mitologia grega.
Baseado no clássico de Homero, escrito por volta do século VIII a.C., o filme acompanha a longa jornada de Odisseu de volta à ilha de Ítaca após a Guerra de Troia. Curiosamente, Nolan parece retornar a um território que já havia explorado em Interestelar (2014): o da grande viagem de volta para casa. Se Odisseu cruzava mares desconhecidos para reencontrar Penélope, Cooper atravessava galáxias em busca da filha. Mudam os cenários, mas a travessia e o destino guardam semelhanças.
Considerada uma das obras fundamentais da literatura ocidental, A Odisseia narra uma viagem repleta de obstáculos, encontros com criaturas míticas, deuses, monstros e desafios que colocam à prova a coragem e a inteligência de seu protagonista. O poema também funciona como continuação dos acontecimentos narrados em Ilíada, outro dos grandes épicos atribuídos a Homero.
A relação de Nolan com esse universo é antiga. O diretor já demonstrava interesse pelas histórias homéricas há mais de duas décadas e chegou a ser cogitado, em 2004, para dirigir uma adaptação de Ilíada. O projeto não avançou, mas a fascinação pela mitologia grega permaneceu. Agora, ele leva às telas aquela que considera uma das narrativas mais influentes já escritas.
Filmada em países como Grécia, Itália, Marrocos, Malta e Escócia, a produção procura tratar os elementos míticos de forma concreta e palpável, aproximando o espectador da maneira como essas histórias eram compreendidas pelos povos da Antiguidade. Outro aspecto que chama atenção é a escala do projeto, inteiramente rodado com tecnologia IMAX. Com quase três horas de duração, o filme acompanha Odisseu em encontros com ciclopes, monstros marinhos e outras figuras lendárias.
Nos bastidores, Nolan voltou a trabalhar com colaboradores frequentes, entre eles o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema, vencedor do Oscar por Oppenheimer. A equipe investiu em efeitos práticos e em filmagens realizadas em cenários reais sempre que possível, reduzindo a dependência de recursos digitais.
Agora, resta saber se a ousadia do projeto corresponderá à enorme expectativa criada ao seu redor. Poucos filmes recentes chegaram aos cinemas cercados por tamanho interesse — e poucas histórias carregam um legado tão duradouro quanto a jornada de Odisseu.
Confira o trailer
A Odisseia | Estreia 16.07.2026 | Dir. Christopher Nolan | EUA/Reino Unido | Épico | 172 min.




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