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Salvação

  • há 6 horas
  • 2 min de leitura

Entre ovelhas e lobos

Por Lucas Viana


Salvação é um filme singular, hipnotizante e bastante necessário em um mundo cada vez mais imerso em conflitos. Baseada em fatos reais, a história se passa em uma região montanhosa da Turquia onde habitam, na parte alta, os Hazerans. O retorno de outro clã à parte baixa, os Bezaris, desperta a desconfiança dos locais, especialmente do protagonista Mesut, pai de família, homem devoto e respeitado em sua comunidade.


O clima de receio se dá pelo histórico de animosidade e violência entre os dois povos e se alimenta da paranoia, do misticismo, das fofocas e das especulações sobre a convivência vindoura entre as duas “famílias”. Apesar das particularidades culturais locais, esta história poderia se passar em qualquer lugar do mundo, porque funciona como uma alegoria sobre as raízes da violência, como bem apontou Catherine Bray, crítica de cinema da Variety.


Mesclando a fronteira entre o sonho e a realidade, o filme escancara a psique de um homem que não é particularmente mau ou violento, mas que teme pela própria segurança e pela integridade de sua comunidade diante do “fantasma” do outro. Aos poucos, por meio de conversas despretensiosas e histórias mal contadas, Mesut e seus companheiros se questionam sobre o motivo da volta dos Bezaris. Seria por vingança? Ou por desejo de escravizá-los, humilhá-los? Empobrecidos, os Hazerans temem ser subjugados ou massacrados pelos (velhos) novos vizinhos.


O que era dúvida torna-se certeza, e as fantasias tomam conta da realidade. Os desconhecidos são agora percebidos como perversos, imorais, “insetos que se espalham por todo o vale”. A sensatez é substituída pelo medo e pela raiva infundada, que fazem daquele espaço um barril de pólvora prestes a explodir a qualquer momento. Nada que nunca tenhamos visto antes na história da humanidade.


No entanto, em Salvação, olhamos a história sob a perspectiva de quem perpetra a violência, lembrando-nos de que não estamos a salvo de nos tornarmos aquilo que mais tememos. Os conflitos entre os povos não podem ser resumidos à vilania e à maldade, porque são muito mais complexos do que isso. Correndo o risco de ser indigesto, o diretor Emin Alper é cirúrgico ao explicitar esses meandros. Ele opta por produzir cenas em que a violência é mais presumida do que mostrada, compondo imagens estilizadas e silêncios gritantes em meio à paisagem fascinante das cordilheiras.


Confira o trailer



Salvação | Estreia 02.07.2026 | Dir. Emin Alper | Turquia/França/Holanda/Grécia/Suécia/Arábia Saudita| Thriller/Drama | 117 min.

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