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Digger

  • há 3 horas
  • 2 min de leitura

O salvador do próprio desastre

Por Isis Cruz


A carreira de Alejandro González Iñárritu é, desde seu início, marcada por filmes que exploram o pior e o melhor da psicologia humana, seja no aclamado Birdman, de 2014, que retrata a decadência do ego, ou em O Regresso, de 2015, que moldou tanto sua época que rendeu a Leonardo DiCaprio seu primeiro Oscar, elevando mais uma vez o nome do diretor, que virou, por si só, um motivo para levar muitas pessoas ao cinema. E agora, com seu novo filme, Digger, que demorou 10 anos para sair do papel, promete mostrar ao público uma história que se fez necessária mais uma vez.


O longa é protagonizado por Tom Cruise (Digger), dono de uma empresa responsável por um grave deslocamento de geleira, que ironiza a situação e demonstra mais preocupação com seus negócios e sua imagem do que com o próprio crime e suas consequências. Diferente dos últimos papéis do ator no cinema, vemos que ele abriu mão de sua aparência de galã: o abdômen chapado e o rosto conservado dão lugar a um personagem barrigudo, de cabelos brancos e nada atraente. Nessa nova fisionomia, sua autoconfiança está colocada em seu papel social, um homem com poder o suficiente para destruir a humanidade, mas não com grandes explosões e cenas de ação, e sim como responsável por um apocalipse ambiental, onde a humanidade se torna, mais uma vez, o pior vilão da própria espécie.


Com Sandra Hüller, Riz Ahmed, John Goodman, Jesse Plemons e Michael Stuhlbargtambém no elenco, somos apresentados a personagens egocêntricos, sarcásticos e completamente deslocados da realidade, em que mentir, manipular informações e fugir de suas responsabilidades é um absurdo consolidado e aplaudido sem que se enfrenteseus principais males.


Com roteiro assinado também por Sabina Berman, Alexander Dinelaris e Nicolás Giacobone, fica claro o propósito de ser um reflexo nada discreto das disputas políticas e ambientais que vivemos, em que a ficção não parece tão distante e todas as caricaturas apresentadas com muita sátira e humor se tornam uma descrição perfeita do que acontece quando muito poder é destinado a um só homem.

Sendo um forte candidato à próxima temporada de premiações, Digger confirma, mais uma vez, o papel do cinema de capturar até aquilo que gostaríamos de fingir que não existe, mas que precisa ser debatido, visto e, principalmente, colocado em uma tela, onde o poder e a responsabilidade são as principais narrativas que fazem o público se perguntar se é só isso que a humanidade tem a contar.


Confira o trailer



Digger | Estreia 01.10.2026 | Dir. Alejandro González Iñárritu | EUA | Comédia dramática | 128 min.

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