A Conspiração Condor
- há 1 dia
- 2 min de leitura
JK e João Goulart: duas mortes, muitas suspeitas
Por Léo Mendes
Passados 25 anos de seu primeiro longa-metragem, Sonhos Tropicais, em que revisitou a Revolta da Vacina a partir da figura de Oswaldo Cruz, o diretor André Sturm retorna ao passado em A Conspiração Condor — agora com um olhar voltado ao suspense e às zonas mais obscuras da história recente do Brasil.
Ambientado em 1976, em pleno contexto da ditadura militar e da Operação Condor, coordenação entre regimes autoritários da América do Sul, com o envolvimento direto dos Estados Unidos, o filme parte de episódios verídicos que até hoje despertam desconfiança: as mortes, em um curto intervalo de tempo, de dois ex-presidentes — Juscelino Kubitschek, em um estranho acidente de carro na Via Dutra, e João Goulart, oficialmente atribuída a um infarto, na Argentina. É a partir dessas “coincidências” que a jornalista Silvana, vivida com precisão e sensibilidade por Mel Lisboa, decide investigar o que parece não fechar.
O que começa como uma apuração quase casual rapidamente ganha contornos inquietantes. Conversas interrompidas, testemunhos evasivos e pistas que surgem e desaparecem colocam Silvana no centro de uma trama perigosa. À medida que avança, novos fatos suspeitos vêm à tona — e não apenas sobre o passado.
Ao lado de um jornalista argentino, papel de Dan Stulbach, ela se aproxima de figuras-chave como Carlos Lacerda, interpretado por Pedro Bial em surpreendente participação, e mergulha nos bastidores da arriscada tentativa de criação da Frente Ampla, movimento de oposição ao regime militar. E quanto mais ela acredita se aproximar da verdade, mais o cerco parece se estreitar.
O envolvente roteiro, escrito por Sturm em parceria com Victor Bonini — jornalista e autor de romances policiais, finalista do Prêmio Jabuti —, imprime à narrativa um ritmo de thriller, em que cada nova descoberta aumenta a tensão. Embalada pela elegante trilha composta por Alexandre Guerra, a sensação de ameaça constante atravessa o filme, transformando a busca por respostas em uma corrida contra o tempo.
Filmado em Iguape, no litoral de São Paulo, o longa combina primorosamente notícias reais com ficção, criando um jogo entre documento e imaginação que reforça a dúvida: o que, afinal, ficou de fora da versão oficial? No elenco, nomes como Nilton Bicudo, Maria Manoella, Douglas Simon, Marat Descartes e Zé Carlos Machado ampliam as tensões desse intrincado quebra-cabeça.
“Atualmente, são poucos os filmes no Brasil que exploram o gênero do thriller político”, afirma Sturm. “Quero também recuperar o episódio da Frente Ampla, que, embora tenha fracassado, é um exemplo de maturidade na nossa política”, acrescenta ele.
Misturando fatos históricos e invenção dramática, A Conspiração Condor, com direção ágil e montagem eficiente, constrói uma narrativa de investigação que resgata um período sombrio do país, levantando perguntas que seguem em aberto até hoje. Talvez a verdade nunca tenha sido tão clara — nem tão perigosa.
Confira o trailer
A Conspiração Condor | Estreia 09.04.2026 | Dir. André Sturm | Brasil | Suspense | 110 min





Comentários