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Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte

  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Nos bastidores de um clássico inventado

Por Rebecca Rocatto


Da mesma diretora de Eu Vi o Brilho da TV (2024), Jane Schoenbrun está de volta com mais uma incursão pelo terror, desta vez mergulhando no universo dos slashers ambientados em acampamentos. Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte chega ao Brasil após estrear na mostra Un Certain Regard, do Festival de Cannes, onde recebeu a Palma Queer, prêmio independente que destaca alguns dos filmes LGBTQIAPN+ mais relevantes da temporada.


Depois de chamar atenção com Eu Vi o Brilho da TV, Jane Schoenbrun retorna ao terror levando ainda mais longe as inquietações que marcam sua filmografia. Desta vez, ela reúne um elenco formado por Gillian Anderson e Hannah Einbinder. Seu longa anterior, protagonizado por Justice Smith e Jack Haven, contou com produção de Emma Stone e Dave McCary, por meio da Fruit Tree.


Em Acampamento Miasma, a diretora define o longa como sua tentativa de criar o clássico filme de terror perfeito para uma festa do pijama — aquele título encontrado na prateleira de horror da locadora para assistir depois da meia-noite. A trama acompanha uma jovem cineasta queer contratada para comandar o novo capítulo da fictícia franquia Camp Miasma. Durante a produção, ela desenvolve uma obsessão pela atriz que interpretou a final girl do filme original, e a relação entre as duas mergulha em um delírio psicosexual que mistura memória, desejo e fantasia.


Há ainda um detalhe curioso: Camp Miasma nunca existiu. Para tornar essa franquia convincente, a equipe criou 45 anos de história, cartazes, produtos licenciados e todo um imaginário em torno de uma série fictícia de filmes. Ao mesmo tempo, o longa presta homenagem ao slasher clássico — com seus assassinos icônicos e sua violência gráfica — enquanto dialoga com referências como Psicose, O Massacre da Serra Elétrica e, de forma inesperada, Retrato de uma Jovem em Chamas.


Ambientado nos anos 1980 e filmado inteiramente em película 35 mm, o filme recria a estética dos clássicos que inspiraram sua narrativa. A escolha reforça um tema recorrente na filmografia de Schoenbrun: a forma como a cultura pop molda a memória e a construção da identidade. Em Vamos Todos à Exposição Mundial (2021), ela explorava os efeitos da internet sobre uma adolescente solitária; já em Eu Vi o Brilho da TV, acompanhava dois jovens cuja obsessão por um programa de televisão colocava em xeque a própria percepção da realidade.


Agora, porém, Schoenbrun volta seu olhar para o próprio cinema de horror. Sem abandonar a perspectiva queer que atravessa toda a sua obra, ela transforma uma franquia que nunca existiu em algo estranhamente familiar, refletindo sobre a forma como os filmes que amamos também ajudam a construir nossas lembranças, nossos desejos e nossa identidade.


Confira o trailer



Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte | Estreia 13.08.2026 | Dir. Jane Schoenbrun | Reino Unido/Canadá/EUA | Terror/Drama | 112 min.

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