Akira
- há 21 horas
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A volta de um clássico adorado da animação
Por Gabriel Sargaço
Em 1988, uma explosão destrói Tóquio. Trinta e um anos depois, a cidade foi reconstruída e rebatizada como Neo-Tóquio. É nesse futuro que se passa Akira, clássico de Katsuhiro Otomo, onde Kaneda e seu grupo passam as noites correndo de moto pelas ruas, em meio a protestos, violência e confrontos com a polícia. Tetsuo, amigo de infância de Kaneda e o mais jovem da gangue, se envolve em um acidente com uma criança que fazia parte de um experimento militar secreto. O garoto é levado pelos militares, e Tetsuo acaba nas mãos da mesma organização.
A partir desse momento, Tetsuo começa a desenvolver poderes telecinéticos. Sempre visto como o elo mais fraco por Kaneda e pelos outros integrantes da gangue, ele passa a carregar uma força que ninguém consegue controlar, nem ele mesmo. O experimento envolve outras crianças com habilidades especiais, entre elas Akira, um garoto envolto em um dos maiores mistérios de Neo-Tóquio e cuja existência continua cercada por segredos do governo.
A história poderia ser apenas uma ficção científica sobre habilidades extraordinárias, mas Akira é o retrato de uma sociedade onde tudo parece prestes a explodir, literal e metaforicamente. Há protestos, violência policial, terrorismo, corrupção e gangues, enquanto as ruas iluminadas por letreiros de neon parecem viver sob a ameaça constante de uma nova explosão. O filme expõe as marcas de um Japão profundamente afetado pela destruição atômica e os medos de uma geração que viu sua tradição ser engolida pela modernidade.Akira também pode ser visto como uma história sobre jovens atravessando um coming-of-age duro e desesperançoso.
Tetsuo, por exemplo, quer se superar, mas não sabe o que fazer quando finalmente se torna poderoso e sua insegurança se transforma em raiva enquanto seu corpo começa a mudar de maneira assustadora. A relação com Kaneda, mesmo marcada por conflitos, continua sendo um dos elementos mais humanos do filme: amigos desde a infância, eles parecem incapazes de demonstrar afeto em meio a tanta violência e caos. Mesmo quando tudo muda ao redor deles, esse vínculo continua existindo.
A animação de Akira continua absolutamente impressionante quase quarenta anos depois de sua estreia, ainda mais agora com a versão em 4K. As motos cruzam as ruas, as multidões se entrelaçam, os letreiros fazem o papel do sol e Neo-Tóquio parece nunca dormir.
A trilha sonora do grupo Geinoh Yamashirogumi mistura elementos da música tradicional japonesa com referências ao gamelão indonésio, criando uma atmosfera simultaneamente antiga e futurista. Em uma época em que a animação ainda era frequentemente associada ao público infantil, Akira ajudou a abrir espaço para histórias voltadas ao público adulto e influenciou gerações de cineastas e animadores.
Akira fala sobre violência, corrupção, religião, ambição e o medo da destruição nuclear, mas sua maior qualidade está na forma como transforma tudo isso em uma experiência sensorial que faz o espectador se sentir dentro de Neo-Tóquio. O filme acompanha uma cidade à beira do colapso, um grupo de jovens tentando encontrar seu lugar e um adolescente incapaz de lidar com forças maiores do que ele próprio, enquanto enfrenta crises, ressentimentos e desejos em um mundo que parece não lhe oferecer espaço para respirar.
E certamente não existe lugar melhor para descobrir — ou redescobrir — uma obra dessa dimensão do que em uma sala de cinema.
Confira o trailer
Akira | Estreia 20.08.2026 | Dir. Katsuhiro Otomo | Japão | Animação/Ficção Científica | 124 min.




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