Betty Blue
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A volta de um furor sensual em cópia remasterizada
Por Vivi Isoda
Betty Blue, o intenso e ousado filme dirigido por Jean-Jacques Beineix, segue visceral e pulsante — e retorna agora aos cinemas em versão remasterizada, 40 anos após sua estreia.
Lançado em 1986, o longa, cujo título original é 37°2 Le Matin, adapta o romance homônimo de Philippe Djian, autor também de Elle, que inspirou o aclamado filme estrelado por Isabelle Huppert.
Filmado ao longo de 13 semanas no sul da França, Betty Blue é um verdadeiro deleite visual. As cores saturadas e os cenários deslumbrantes — dos bangalôs à beira-mar, palco da icônica cena da pintura em tintas rosa e azul, às paisagens naturais de atmosfera quase onírica — compõem um universo singular. Beineix nos coloca dentro desses espaços íntimos, reveladores, repletos de objetos cotidianos, onde tudo é atravessado por muita paixão, cor, nudez e uma sexualidade crua, quase explícita, regada a vinho e liberdade.
Acompanhamos Zorg, um aspirante a escritor de temperamento tranquilo, que vê sua vida mudar radicalmente a partir da chegada de Betty, que surge como uma força vital arrebatadora: apaixonada pela vida, impulsiva e absolutamente fiel aos próprios desejos.
Desse encontro nasce um romance avassalador, que oscila entre o êxtase e o abismo. Há desejo, criação artística e momentos de euforia, mas também fissuras emocionais que, pouco a pouco, se revelam em Betty. O filme constrói, assim, um retrato ao mesmo tempo delicado e perturbador sobre amor, obsessão e os limites da mente humana.
Betty ganha corpo na atuação magnética de Béatrice Dalle, em seu primeiro papel no cinema. Descoberta por um fotógrafo nas ruas de Paris, Dalle estampou a capa da revista Photo — imagem que chamou a atenção da diretora de elenco Dominique Besnehard, responsável por indicá-la ao papel principal.
Sobre o processo, a atriz foi direta: “Quando fui fazer os testes, havia muitas atrizes excelentes, famosas, magníficas — mas eu era a melhor”. Décadas depois, o impacto permanece: “Em outros países, ainda hoje, não sou Béatrice Dalle — sou Betty”. À época de seu lançamento, o filme foi um fenômeno. Recebeu indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, além de nove nomeações ao César, o principal prêmio do cinema francês.
A experiência sensorial de Betty Blue é intensificada pela trilha sonora de Gabriel Yared, vencedor do Oscar por O Paciente Inglês. Sua música envolve o filme como uma pulsação constante — delicada e inquietante — acompanhando cada variação emocional dessa história que vai mexer com você: é impossível sair do cinema a mesma pessoa que entrou.
Betty Blue | Estreia 16.04.2026 | Dir. Jean-Jacques Beineix | França | Romance/Drama | 119 min





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