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Nem Tudo é Paz e Amor

  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Quando era proibido proibir

Por Isis Cruz


Caetano Veloso, Gilberto Gil, Baby do Brasil e Itamar Assumpção são, com certeza, nomes que vivem no imaginário brasileiro como um todo. Mas, para além desse status de figuras praticamente divinas, já parou para pensar como é vivenciar essas rupturas da realidade? Como seria chamá-los de pai ou mãe no dia a dia? Essa é a pergunta que nos coloca o documentário Nem Tudo é Paz e Amor.


Mesmo em seu momento de maior reinvenção, a vida dos artistas da contracultura brasileira nos anos 1970 não se resumia à luta contra a ditadura nem à criação de letras e melodias marcantes. Por trás dos acontecimentos históricos, suas vidas seguiam como as de qualquer pessoa: havia filhos que nasciam e cresciam em meio àquele contexto.


E como criar uma criança cercada por tanta incerteza e revolução? Como estabelecer limites quando questionar as regras era justamente o modo de enxergar o mundo? Até hoje, essa forma de criação é cercada por certo misticismo — até que se ouve diretamente quem viveu essa experiência, com todas as suas nuances de independência e isolamento, algo que, para quem vê de fora, pode soar como um grande absurdo. Afinal, quando era proibido proibir até mesmo na infância, a noção de pertencimento e identidade podia se formar de maneira bastante instável.


A partir de uma ideia concebida por Jasmin Pinho, que faleceu em 2020, o diretor Betão Aguiar — filho de Paulinho Boca de Cantor, dos Novos Baianos — decidiu transformar o projeto de sua amiga de infância em um filme do qual ela certamente se orgulharia. A obra foi exibida no In-Edit Brasil 2026, onde teve quatro sessões esgotadas.


Com depoimentos de Moreno Veloso, Nara Gil, Sarah Sheeva, Anelis Assumpção e Beto Lee, somos apresentados a vivências peculiares, histórias que sempre despertaram curiosidade, mas às quais nunca tivemos acesso, e a um ponto de vista único sobre toda a efervescência daquele período. Eles cresceram sem compreender plenamente o que acontecia ao redor, vivendo um cotidiano impossível de compartilhar com os colegas da escola. Para eles, aquilo era normal; para o restante do país, parecia uma ruptura completa com os modelos tradicionais de família, quase uma experiência inédita.


O documentário reúne registros raros e relatos de vidas em que a bagunça e a desordem aparecem como resposta de uma geração que acreditava que viver não podia ser em vão. O filme acompanha os filhos dessa revolução e mostra como os resultados de sua criação podem ser tão contraditórios quanto os próprios ideais que a inspiraram.


Confira o trailer



Nem Tudo é Paz e Amor | Estreia 27.08.2026 | Dir. Betão Aguiar | Brasil | Documentário | 88 min.

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